quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Alfabetização obrigatória até os 6 anos. O que estamos fazendo com as nossas crianças?


Secretarias de Educação em diversos municípios brasileiros estão criando metas de alfabetização das crianças no último estágio da Educação Infantil. Em algumas uma delas, 90% das crianças precisam estar alfabetizadas antes de ingressarem no Ensino Fundamental com punições para as instituições de Educação Infantil que não cumprirem a meta. Em outras redes de ensino, foi aprovado no Plano Municipal de Educação, a alfabetização PLENA de crianças de até 6 anos de idade.

Ao nos depararmos com políticas públicas como as descritas acima, é preciso  questionar: que concepções de infância, de alfabetização, de educação estão por trás dessas decisões? O debate sobre a melhor idade para que as crianças saibam ler e escrever plenamente não é recente, mas ultimamente a pressão para que esse processo aconteça cada vez mais cedo tem se intensificado.

A defesa da alfabetização plena (leia-se decodificação do código escrito) antes dos 6 anos, com estabelecimento de metas a serem cumpridas pelas escolas, tem significado que as instituições de Educação Infantil devem privilegiar em seu currículo a linguagem escrita e o aprendizado de sua decodificação.

Diversos institutos de pesquisa, universidades e organizações de defesa dos direitos das crianças se posicionam contra essa prática na ocasião da discussão da Meta 5 do Plano Nacional de Educação - PNE. Na época o debate entre a alfabetização plena das crianças aos 6 ou aos 8 anos de idade estava intenso. No PNE, acabou por ser aprovada a alfabetização plena até aos 8 anos. Esses posicionamentos apontavam para os perigos dessa prática, que desconsidera os ritmos das crianças e desrespeitam o direito à infância. Seguem aqui alguns deles:

Fundação Carlos Chagas:

Rede Nacional pela Primeira Infância:

Ação Educativa:

Movimento Interfóruns de Educação Infantil – MIEIB

Contrastando com essa argumentação, está o Instituto Alfa e Beto na defensa da alfabetização plena das crianças na Educação Infantil. Sob o slogan: “Sucesso na escola, sucesso na vida”, o referido instituto vende sistemas de ensino apostilados voltados para a decodificação do código escrito para redes de educação infantil Brasil afora.
A argumentação em defesa da alfabetização plena na Educação Infantil apoia-se no fato já sabido que o Brasil ocupa um lugar baixo no ranking da educação mundial e que muitas crianças saem do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever plenamente. Nesse sentido, defende-se que se as crianças entrarem no Ensino Fundamental já alfabetizadas, a educação brasileira atingirá patamares mais altos e as crianças terão mais sucesso na vida.

Mas o que a alfabetização “plena” na Educação Infantil tem significado para as crianças?

Não é por acaso que as crianças estão cada vez mais agitadas e desestimuladas nas escolas e as práticas de controle e de contenção do corpo infantil cada mais intensificadas. Muitos professores tem apontado a dificuldade de “segurar as crianças (de 3 a 5 anos, às vezes até bem mais novas) para que façam as lições”. Também não é por acaso que as crianças brasileiras estão cada vez mais medicalizadas e nosso país é o segundo em venda de ritalina (remédio para crianças com diagnóstico de hiperatividade).

Aqui, alguns artigos sobre a medicalização da infância no país que demonstram como esse cenário está preocupante no país:
https://scholar.google.com/scholar?q=medicaliza%C3%A7%C3%A3o+na+infancia&hl=pt-BR&as_sdt=0&as_vis=1&oi=scholart&sa=X&ved=0ahUKEwiK6v7HyoPSAhXslVQKHbw0ARAQgQMIGDAA

Não garantir a alfabetização “plena” aos 6 anos significa que as crianças na educação infantil não possam ser alfabetizadas? O que é alfabetização e como se dá esse processo?

Vivemos em uma sociedade em que a cultura escrita está muito presente. As crianças estão em contato cotidiano com esta nos anúncios publicitários, nos ônibus, nas placas de ruas, computadores, folhetos, jornais, revistas, entre outros. Muitas chegam à instituição de educação infantil curiosas e interessadas em saber como se expressar nessa linguagem.
Aponta o Parecer das Diretrizes Curriculares Nacionais de Educação Infantil de 2009:
Também a linguagem escrita é objeto de interesse pelas crianças. Vivendo em um mundo onde a língua escrita está cada vez mais presente, as crianças começam a se interessar pela escrita muito antes dos professores a apresentarem formalmente. Contudo, há que se apontar que essa temática não está sendo muitas vezes adequadamente compreendida e trabalhada na Educação Infantil. O que se pode dizer é que o trabalho com a linguagem escrita com crianças pequenas não pode decididamente ser uma prática mecânica desprovida de sentido e centrada na decodificação do escrito. Sua apropriação pela criança se faz no reconhecimento, compreensão e fruição da linguagem que se usa para escrever, mediada pela professora e pelo professor, fazendo-se presente em atividades prazerosas de contato com diferentes gêneros escritos, como a leitura diária de livros pelo professor, a possibilidade da criança manusear livros e revistas e produzir narrativas e “textos”, mesmo sem saber ler e escrever” (Parecer DCNs, 2009, p.15).

O parecer atenta para a profileração de práticas de alfabetização redutoras e mecânicas, que centradas na decodificação do código escrito (voltadas ao ensino de letras e sílabas soltas), não possibilitam que as crianças possam fruir ou atribuir sentido à utilização da linguagem que se escreve, que é justamente o que tem acontecido quando se exige a alfabetização “plena” antes dos 6 anos de idade.
Sobre o trabalho com a escrita, afirma  Luiz Percival Leme de Brito:
Não pertencer à cultura escrita, numa sociedade que se impõe por ela, é ficar expulso das formas do espaço real de existência e de legitimidade. (...) Mas é preciso ter claro que alfabetizar não é formar no domínio de uma técnica, mas sim pôr a pessoa no mundo da escrita, de modo que ela possa transitar pelos discursos da escrita, ter condições de operar criticamente com os modos de pensar e produzir da cultura escrita. (BRITO, 2005, p. 14) Antecipar o ensino das letras [na educação infantil] sem trazer para o debate a cultura escrita para o cotidiano é desrespeitar o tempo da infância e sustentar uma educação tecnicista (BRITO, 2005, p. 16)

Ou seja, incorporar e transitar entre os discursos escritos é muito mais do que saber as letras e aprender a juntá-las. Vygotsky, no início do século passado, já afirmava isso em seu texto, “A Pré-História da Linguagem Escrita”: Ensinamos as crianças a traçar as letras e a formar palavras com elas, mas não as ensinamos a linguagem escrita. (Vygotsky, 1995, p. 183). A alfabetização é um processo complexo e contínuo que exige que as crianças tenham capacidade de simbolização.
Simbolizar significa que as crianças compreendam que os signos como as letras não significam apenas a escrita do “A” ou do “B”, ..., mas que por trás dessas letras juntas há significado e que para aprendê-los, é preciso que se saiba que significado é esse. Como as crianças aprendem isso? Brincando e desenhando, afirmava Vygotsky. Quando uma criança de 3 anos pega um tapete e transforma em cobertor de boneca, por exemplo, ela está demonstrando que por trás daquele objeto há um significado que vai além do objeto em si. Para ler, escrever, contar, entender o pensamento científico e artístico, as crianças precisam passar por uma série de experiências que lhes possibilitem compreender como esses conhecimentos são construídos e simbolizados, ou seja, o que há por trás deles. Na ânsia de alfabetizar as crianças cada vez mais cedo antecipamos processos.

Mônica Correa nos ajuda a refletir sobre função da educação infantil no mundo das letras ao afirmar:
Não é na educação infantil que a criança se inicia na alfabetização. Esse processo se inicia fora das instituições escolares e, muitas vezes, antecede a entrada da criança nestas. Também não é nessa etapa educativa que a alfabetização se completará. A educação infantil tem como principal contribuição para esse processo que a criança se interesse pela leitura e escrita; fazer com que ela deseje aprender a ler e escrever; e, ainda fazer com que ela acredite que é capaz de fazê-lo. (CORREA, 2010, p. 15)

Se acreditamos que as crianças são sujeitos sociais, produtoras de cultura e que têm como uma característica importante a percepção estética do mundo, as práticas destinadas à elas precisam ser reveladoras desse princípio. Solicitar que “desenhem” e repitam letras, façam cópias e exercícios mecânicos de coordenação motora, por exemplo é desconsiderar essas dimensões do sujeito criança e tratá-la como um objeto que nada tem a dizer e que não pensa sobre o mundo, é submetê-las a ordem dos adultos.
É preciso sempre lembrar que trabalhar com crianças pequenas exige uma escuta profunda, envolve conhecê-las, entendê-las e apoiá-las em suas dúvidas, anseios, descobertas, conquistas e desafios. Aí reside a dimensão do cuidado educativo no trabalho com a infância e que serve de princípio inclusive nas práticas voltadas à linguagem escrita.
Não podemos nos esquecer que o trabalho na instituição da infância tem que ser coerente com o universo infantil e com sua maneira lúdica e estética de construir significados para o que experiência. O direito de ter acesso ao mundo da linguagem escrita não pode descuidar do direito de ser criança - e há muitas maneiras de se respeitarem as duas coisas. (CORREIA, 2010, p. 14).

Por fim, deixo aqui um relatório da Aliança pela Infância no mundo, elaborado por professores de diversas universidades americanas intitulado:  “Crise nos Jardins da Infância: Porque as crianças precisam brincar na escola”, que analisam os impactos das testagens e da escolarização precoce no currículo da Educação Infantil.

No marcador alfabetização desse blog há mais reflexões sobre o processo de escrita na Educação Infantil para quem se interessar, segue o link:

  Fica aqui o meu abraço preocupado, mais esperançoso que educadores da infância se juntem em defesa do direito das crianças viverem suas infâncias na escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental. E que todos – adultos e crianças - possam ser felizes e possam aprender  continuamente sobre o mundo nessa convivência!











segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Sobre a antecipação da entrada das crianças de 5 anos no Ensino Fundamental

Olá pessoal,

Segue abaixo uma reportagem da Revista Pátio sobre a antecipação da entrada das crianças de 5 anos no Ensino Fundamental, na qual fui entrevistada.


Fonte: http://loja.grupoa.com.br/revista-patio/artigo/13004/uma-decisao-contraditoria.aspx

Uma decisão contraditória

Reportagem // Silvana Azevedo

A legislação atual determina que as crianças tenham 6 anos completos no dia 31 de março para serem matriculadas no ensino fundamental, mas ações judiciais têm sido usadas para permitir o ingresso antecipado em diversos estados. Quem ganha com isso?
No dia 20 de outubro de 2010, por meio da Resolução n° 6, o Conselho Nacional de Educação (CNE) definiu as diretrizes operacionais para as matrículas na educação infantil e no ensino fundamental. De acordo com os artigos 3° e 4°, ficou determinado que a criança deverá ter 6 anos completos até o dia 31 de março do ano em que ocorrer a matrícula. Aquelas que fizerem aniversário depois dessa data deverão ocupar uma vaga na educação infantil. 

Embora estabelecida pelo CNE, órgão responsável por regulamentar as normas educacionais do país, a resolução tem sido contestada judicialmente desde que entrou em vigor, sobretudo quando envolve as crianças na fase de transição entre a educação infantil e o ensino fundamental. Ana Luíza, por exemplo, faz aniversário em setembro. Em 2011, aos 5 anos, estava matriculada na educação infantil quando o colégio paulistano em que estudava telefonou para sua mãe, Letícia Kuhl Pereira, dizendo que a menina tinha condições de ir para o 1º ano do ensino fundamental, mas não poderia avançar por causa da data de corte. “A escola foi muito parceira, dizendo que iria entrar com um recurso na Secretaria de Educação, mas ele foi indeferido. Aí começou o meu desespero”, conta Letícia. “Encontrei uma notícia na internet e entrei em contato com a advogada Cláudia Hakim”, relembra. 

Por meio de uma liminar, Ana Luíza foi matriculada no ensino fundamental. No ano seguinte, a menina deu início aos estudos bastante empolgada, feliz por estrear uma mochila maior e viver a nova rotina do ensino fundamental com 5 anos de idade graças à atuação da advogada, que já conseguiu aproximadamente 370 liminares. 

Em Recife (PE), Fábio Arruda Câmara, pai de dois meninos, decidiu mobilizar-se porque um dos seus filhos aniversaria em maio. Através do blog Centro de Estudos, da consultora educacional Sônia Aranha, ele verificou que existiam leis estaduais que tratavam do assunto com outras datas. “Tivemos a ideia de provocar nosso Legislativo estadual, mostrando que era uma necessidade da sociedade”, conta Fábio sobre o seu empenho em rever os critérios para ingresso das crianças no 1º ano. 

Ao assumir essa bandeira, tornou-se o grande mobilizador do movimento que ajudou na criação da Lei nº 15.610/2015, segundo a qual a data de corte em Pernambuco passou a ser 30 de junho. Na opinião de Sônia Aranha, o problema da data de corte é que ela é o único critério para a matrícula. “Isso é um complicador, pois não se está discutindo a capacidade cognitiva de cada criança, e sim a data de nascimento dela”, explica.

Cenário de litigância
Em um estudo concluído no início de 2016 pela advogada Alessandra Gotti para o CNE e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), os temas relacionados aos limites etários estavam entre os mais numerosos. “Com a multiplicidade de ações civis públicas que foram movidas, a resolução chegou a ser suspensa em 14 estados”, esclarece a advogada. “Atualmente, a decisão que prevê o corte etário para o mês de março está suspensa em sete estados brasileiros”, afirma.

Consultora da Câmara de Educação Básica do CNE em um projeto sobre a judicialização da educação básica no Brasil, Alessandra também se diz surpresa com o cenário de litigância atual e ressalta que é preciso prever regras para harmonizar e operacionalizar o sistema de ensino no país. Vale lembrar que as unidades da federação são autônomas e, portanto, os estados podem criar as próprias leis.

Presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Alessio Costa Lima explica que a entidade defende a manutenção do corte etário estabelecido pelo CNE por uma questão de garantia do direito de acesso à educação infantil e ao ensino fundamental na idade adequada e por respeito ao processo de desenvolvimento e amadurecimento. “A rigor, a criança já deveria ter 6 anos completos para iniciar o ensino fundamental”, pondera.

ara Lima, permitir o ingresso no ensino fundamental de crianças que façam aniversário até 31 de março já é uma flexibilização, que o CNE julgou razoável. “Quando um pai afirma ‘Meu filho faz aniversário um mês depois’, não é só um mês depois: é um mês mais os três meses de tolerância que já foi dada até o dia 31 de março”, salienta. Ele destaca que a criança que faz aniversário depois da data de corte tem o seu direito à educação assegurado por meio da matrícula na pré-escola.

Idade certa
Por que aos 18 anos um jovem alcança a maioridade? Por que ao completar 60 anos o indivíduo passa a ser considerado idoso? Na opinião da socióloga Rita Coelho, membro do movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib), não existe uma razão científica para nenhum corte etário. Na educação infantil acontece o mesmo. Porém, ela entende que há dois pontos que se confundem nessa discussão e precisam ser separados para que se compreenda essa problemática.

Um deles é a questão legal, que determina as etapas da educação básica. O outro é a gestão escolar. “Corte etário é uma necessidade de organização do sistema da escola”, afirma Rita. A normatização também tem o objetivo de operacionalizar os sistemas de ensino em todo o país para que, se houver o trânsito das crianças no território nacional e a realocação em outros sistemas de educação, elas possam estar adequadas.

Por mais arbitrária que possa parecer a data de corte, ela é baseada nas características do sistema educacional brasileiro, nas peculiaridades das crianças e no espelho das tendências internacionais, sobretudo nos países da América Latina onde o ensino fundamental tem início aos 6 anos. Ainda assim, há famílias que ignoram a resolução e matriculam seus filhos com 5 anos sob argumentos como o de que as crianças de hoje são diferentes das de ontem. Para Rita Coelho, no entanto, esse comportamento é um reflexo da tendência de aceleração que existe na sociedade atual. Além disso, como a maior demanda pela antecipação ocorre nas escolas particulares, ela acredita que também exista um interesse econômico, o que representa um ano a menos de despesa no orçamento familiar.

A educadora Janaína Maudonnet, membro da comis­são gestora do Fórum Municipal de Educação Infantil de São Paulo, alerta que, para ler, escrever, contar, entender o pensamento científico e artístico, as crianças precisam passar por uma série de experiências que lhes possibilitem compreender como esses conhecimentos são construídos. “Elas precisam brincar muito de faz de conta para entender que o mundo da escrita, dos números, da ciência e da arte é feito de símbolos”, observa.

Janaína destaca que as crianças precisam aprender a simbolizar o mundo, o que só se faz brincando, desenhando, pintando, esculpindo e tendo oportunidades de aproximação com o mundo escrito, matemático, científico e artístico de forma lúdica e contextualizada. “Na ânsia de que a criança vá para o ensino fundamental, antecipamos processos e dificultamos para ela a compreensão do mundo”, explica.

Além disso, a educação infantil tem uma organização de tempos e espaços, uma forma de se relacionar com o conhecimento que é mais respeitosa às condições da infância. “A ansiedade em antecipar processos importantes de serem vividos pelas crianças pequenas nega seu direito de viver plenamente sua infância e aprender a complexidade do mundo”, lembra Janaína. É certo que isso traz consequências para o seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e motor. “Infelizmente, temos visto nas escolas cada vez mais crianças muito cansadas e desestimuladas com o conhecimento. É isso que queremos para as novas gerações?”, questiona a educadora.

Arrependimento
O Mato Grosso do Sul acompanha a legislação, mas Mariéte Félix Rosa, do Conselho Municipal de Educação de Campo Grande, constatou que muitas crianças que aniversariam depois da data de corte foram matriculadas com 5 anos devido a ações movidas pelos pais. “As famílias pensam no futuro e esquecem o presente”, afirma. “A criança precisa viver o momento da brincadeira, da infância, e esse momento está sendo cortado.” Ela conta que chegou a ver escolas que serraram os pés das mesas e cadeiras para adequá-las ao tamanho das crianças.

De modo geral, a estrutura de uma instituição de ensino fundamental não inclui as exigências de uma escola de educação infantil. O parque para as crianças brincarem é uma delas. E não são raros os que se arrependem de precipitar a progressão das crianças na escola. “Houve pais que nos procuraram querendo que o filho retrocedesse um ano”, revela Mariéte. Também houve casos de famílias que, após terem conseguido matricular a criança no ensino fundamental com 5 anos, pediram que ela repetisse o primeiro ano, o que seria impossível pela legislação: “No momento em que ela poderia permanecer na educação infantil, o pai ou a mãe optou por fazê-la avançar e depois se arrependeu, mas não havia mais o que fazer”.

Ciente da importância dos ritmos de desenvolvimento de cada criança e do contexto pessoal, a pedagoga Sônia Sampaio, de São Paulo, optou por manter a filha Letícia um ano a mais na educação infantil antes do ingresso no primeiro ano do ensino fundamental. Apenas trocou a menina de escola para que ela não repetisse o conteúdo. Não se arrependeu. “Minha filha conviveu com crianças de 4 e 5 anos na mesma classe, conforme um projeto político-pedagógico que desenvolveu ainda mais sua autonomia e suas habilidades”, conta.

Para Letícia, foi um ano de muita diversão, pois, além das atividades desafiadoras na sala, diariamente havia práticas na área recreativa, com brinquedos e tanque de areia. “Quando minha filha entrou no 1º ano, com 6 anos completos, aprendeu a ler, escrever e obteve sucesso na aprendizagem, o que contribui para o sucesso que ela tem hoje no 5º ano”, destaca a mãe da menina. Apesar disso, Sônia admite que, se não tivesse a oportunidade de mudar a filha de escola, teria optado por matriculá-la no 1º ano do fundamental por considerar o currículo com conteúdo repetitivo e “muito fechado, uma grade, no pior sentido da palavra”.

REPETIR NÃO É REPROVAR
Ficar mais um ano na educação infantil não é problema. Cabe aos educadores garantir a qualidade da permanência.

Jaqueline Pasuch, professora do curso de pós-graduação em Educação da Universidade do Estado de Mato Grosso e integrante do Fórum Nacional de Educação (FNE), explica que, para a criança, cada experiência é única e irrepetível. “Não existe esse argumento de ‘Ah, ele vai repetir tudo de novo’. A criança repete aquilo que lhe dá prazer”, defende. “Nessa idade, as crianças gostam de voltar naquela experiência que foi legal.” Também é preciso considerar que o fato de novos coleguinhas serem inseridos no grupo já traz possibilidades reais de novas vivências. “O problema é que, para os adultos, repetir significa reprovar”, observa. Por isso, ressalta a importância de que a escola estabeleça um diálogo com as famílias. 

A educadora lembra que a Constituição Federal de 1988, quando inaugura a visão da criança-cidadã, diz que ela é um sujeito de direitos no nosso país. A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), por sua vez, legitima o direito da criança a uma educação infantil de qualidade, ofertada por instituições que respeitem os seus direitos como sujeitos ativos, protagonistas da sua história e da sua infância. “Nós, adultos, temos de garantir a qualidade na educação infantil, respeitando essa dignidade, proporcionando um desenvolvimento integral, embora, historicamente, coloquemos a criança em um lugar de inferioridade”, diz Jaqueline. “Respeitar ou responder às vaidades adultas sem olhar o desenvolvimento da criança é uma prática suicida, é uma violência”, alerta a professora.

Em sua opinião, flexibilizar a data de corte seria o mesmo que dizer que as crianças não têm direito a ser crianças, a viver a sua infância em tempos adequados. “É como se quiséssemos, nesse mundo capitalista e frenético, trabalhar com a criança para que ela entrasse logo no mundo adulto.”


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Em defesa das creches da USP

Olá pessoal,

As creches da USP são uma referência tanto nacional como internacionalmente de qualidade na Educação Infantil. Muitas pesquisas importantes da área foram e tem sido realizadas ali.

Essas creches tem sido palco de experiências divulgadas e registradas por meio de vídeos e livros que tem proporcionado formação continuada de professoras e professores da área.

Algumas publicações e vídeos:

"O dia a dia das creches e pré escolas: crônicas brasileiras"


"Fazeres na Educação Infantil"

"Creche Carochinha: um patrimônio da Educação Infantil"



"30 anos da creche central da USP"




Mas infelizmente, a administração da USP vem realizado um desmonte dessas instituições tão importantes para a história da Educação Infantil no país. Há dois anos não são realizadas matrículas das crianças, de maneira que, após a saída da última turma, não se tenha mais crianças e as instituições fechem de vez.

Esse mês, o Reitor Zago soltou um informe transferindo o material e o mobiliário da Creche Oeste para a creche central da USP Campus São Paulo com o intuito de  fechar de vez essa instituição. Familiares e estudantes ocuparam a Creche Oeste na tentativa de reverter essa medida.

Muita gente tem se mobilizado em prol dessas creches e foram criadas Campanhas para divulgar o que está acontecendo com essas instituições referências e solicitar apoio de todos.

Amanhã (dia 27/01) haverá a 3a. passeata dos bebês da USP.
Mais informações: https://www.facebook.com/events/1163600567090526/

Confira as imagens da 2a. passeata:




Vamos fazer parte dessa campanha, acompanhando o site da campanha, curtindo a fanpage e comparecendo aos eventos!!!



Só na cidade estima-se que a demanda de vagas declarada pelas famílias é de 103 mil crianças. O fechamento da creche da USP em uma cidade com essa demanda toda é uma excrescência!

Site da campanha de mobilização: "Pelas creches da USP": http://www.pelascrechesdausp.com/

Link para campanhas de mobilização pelas creches da USP no facebook:

https://www.facebook.com/cmcrecheusp/?fref=ts

https://www.facebook.com/ocupacaocrecheaberta/?fref=ts

Canal no youtube" "Pelas creches da USP: Ocupação Aberta:
 https://www.youtube.com/channel/UCprSmirvXFKgUN1UPlz8oJw


Canal do youtube: "Comissão creche mobilizada USP":
https://www.youtube.com/channel/UCPfOM2cEDJJ4aQ2yBsr1WIA


"Creches da USP: Memória e resistência"


"Crianças na USP: 25 anos de creche"





Link para a Manifestação da Congregação da Faculdade de Educação da USP contra o fechamento da creche Oeste: http://www4.fe.usp.br/wp-content/uploads/2910-0001.pdf
NOTA DA OCUPAÇÃO DA CRECHE PRÉ-ESCOLA OESTE DA USP
Escrevemos agora de dentro da Creche Pré-Escola Oeste da Universidade de São Paulo, lugar que estaria, neste momento, pelas ordens da Reitoria da USP, fechado e desmontado. Funcionárias e funcionários do estabelecimento de ensino foram surpreendidos, às 13h de segunda-feira (16/01), durante suas férias, com um informe de que um caminhão de mudança retiraria todos os móveis e equipamentos do edifício, a partir das 14hs daquele mesmo dia. Frente à ameaça de despejo e à falta de diálogo, mantemo-nos aqui mobilizados.
Ao fechamento desta creche, que comporta mais de 100 crianças, dizemos NÃO! Essas crianças NÃO FICARÃO SEM CRECHE. A USP, que também somos nós – a despeito da política do Reitor Zago e do governo do Estado – não ficará sem creche. A ocupação deste espaço foi nossa última alternativa para manter seu funcionamento.
O ato político da ocupação busca preservar um programa modelo de educação infantil, reconhecido internacionalmente. Preserva o direito das crianças à educação; o direito de suas mães e pais a estudarem; o direito das funcionárias e funcionários ao trabalho e ao reconhecimento como educadoras e educadores. Preserva o caráter público da universidade, ao garantir o acesso à educação às filhas e aos filhos de sua comunidade, tendo em vista a falta de vagas no sistema público municipal de ensino. Preserva a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, congregando profissionais, estudantes e pesquisadores de diversas unidades da universidade e recebendo milhares de visitas externas. Preserva o patrimônio material e imaterial da USP, ao defender 35 anos de experiência em educação infantil.
Não foi por nada disso que a Reitoria zelou ao decretar, sumariamente, o despejo da Creche Oeste, de maneira autoritária e irresponsável, sem planejamento nem discussão. A ordem vem após a decisão do Conselho Universitário (CO) de ocupar as vagas ociosas do sistema de creches da USP. Essas vagas passaram a existir desde que foi proibida a entrada de novas crianças, no início de 2015, sem justificativa, no estabelecimento. A decisão do Conselho foi uma dura derrota para Zago que pretendia fechar rapidamente as creches com a saída das últimas crianças. Assim, pretende agora manipular a decisão do CO, retirando vagas ao desmontar todo o edifício. Não aceitaremos tal manobra.
A derrota de Zago não veio de graça. É fruto de dois anos de luta direta contra o desmanche do programa, além de uma luta histórica pelo reconhecimento das professoras como profissionais de educação (hoje seu enquadramento é de “técnicas de apoio educativo”). Zago, nesse ponto, não cumpriu determinação da justiça de reconhecer as profissionais. Respondeu com o fechamento das creches e com o ataque à toda rede de assistência social da USP (Hospitais, Restaurantes e Moradia) – denominando-a “penduricalho”. É todo um modelo de universidade que está sendo implantado, à revelia de sua comunidade e dos interesses da sociedade. Ao longo dos dois últimos anos, pedimos diálogo, entramos na justiça, acionamos a ouvidoria da USP e a Assembleia Legislativa, fizemos relatórios técnicos, atos de protesto e conversas com cada congregação, conseguimos inúmeras moções de apoio das unidades da USP, lutamos para inserir a pauta no CO... Hoje, temos a comunidade uspiana a nosso favor, como demonstra a decisão do Conselho. Ainda assim, a Reitoria permanece intransigente e cada vez mais truculenta.
Nossa reivindicação com esta ocupação é bastante simples: Queremos que se cumpra a decisão do CO: que as vagas ociosas, existentes no momento da decisão (157) sejam ocupadas, o que implica no retorno das crianças matriculadas na Creche Oeste ao seu local de origem e a entrada de novas crianças em todas as cinco unidades de creches da USP. Para isso, precisamos que a Reitoria abra diálogo. Queremos transparência e democracia! Queremos a retirada da ameaça de despejo da Creche Oeste imediatamente.
Contamos com o apoio de todos os defensores da educação pública, trabalhadoras e trabalhadores da educação, pais e crianças, para se somarem à organização de mais esta luta!
Ocupação Creche Aberta

Mais informações sobre a luta pelas creches podem ser obtidas no blog: http://www.pelascrechesdausp.com/




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Curso de Pós Graduação: " Especialização em Educação Infantil"

Oi Gente, 
Tenho o prazer em anunciar o lançamento do curso de Especialização em Educação Infantil na Faculdade Messiânica (próxima a Estação Ana Rosa do metrô) coordenado por mim. 
O grupo de docentes é majoritariamente formado por profissionais da rede municipal de Educação Infantil com bastante experiência no cotidiano das instituições e em formação de professores. Temos em comum a defesa dos direitos das crianças e a busca por uma pedagogia que garanta experiências humanizadoras para crianças e adultos.

Espero vocês lá!
Maiores informações no site: 

Grande abraço!

domingo, 16 de outubro de 2016

Sugestões de atividades para Halloween/Dia das bruxas


O Halloween é uma festa comemorativa celebrada todo ano no dia 31 de outubro.

Pesquisar sobre a origem do Halloween
Os símbolos do Halloween e seus significados
Atividades diversas sobre Halloween
Confeccionar chapéu de Bruxa (Passo-a-passo)
Sugestões de brincadeiras sobre o tema “doces ou travessuras”
História infantil "A Cozinha da Bruxinha"
História infantil "Filó e Marieta”
 História infantil "A bruxinha que era boa"
História infantil "Era uma vez uma Bruxa"
História infantil "A Bruxa e o Caldeirão"
31 de Outubro-Halloween x Dia do Saci
Bruxas e Vampiros - Halloween - 31 de Outubro
Plano de Aula: Bruxas e Vampiros - Halloween
Bandeirinhas de Halloween para Enfeitar a Sala
Máscaras de Halloween para Imprimir
Morcegos para decorar a sala no Dia das Bruxas -
Atividades para o Dia das Bruxas
Desenhos para Colorir Halloween Imprimir
Fantasma do Halloween Colorir

Ideias de murais/painéis para o Dia das Bruxas - 31 de Outubro

Músicas diversas:

Dia das bruxas- Xuxa

A bruxinha- Trem da alegria

A Bruxinha ♫ Música Infantil ♫ Jaque Picoli

Música infantil : A bruxa da catapora



Representar algumas vezes a música da BRUXA com a lâmpada desligada, acender quando...''a bruxa não é de nada...":

ANDA DE VASSOURA
TEM UM NARIGÃÃÃÃO
É MÁ E FEIOOOOOOSA
E MEXE O CALDEIRÃO
COM ASAS DE MORCEGO
PATAS DE ARANHA
PICADAS DE FORMIGA E DENTES DE PIRANHA
MAS, A BRUXA, TEM UM SEGREDO
SE GRITA COM ELA
ELA MOOOOOOOORRE DE MEDO
A BRUXA NÃO É DE NADA, A BRUXA NÃO É DE NADA,
É PURA MARMELADA
A BRUXA NÃO É DE NADA
A BRUXA NÃO É DE NADA,
É PURA MARMELADA!
PUXA! PUXA! PUXA A VASSOURA DA BRUXA!
PUXA! PUXA! PUXA A VASSOURA DA BRUXA!


terça-feira, 11 de outubro de 2016

Bruna e a galinha d´angola- Plano de aula/Educação infantil



Plano de aula: Bruna e a Galinha d´angola

Tema  : Cultura africana

Livro trabalhado: Bruna e a galinha d´angola, de Gercilga de Almeída

Objetivos

- Valorizar a cultura africana;
- Ouvir diferentes histórias:
- Conhecer e vivenciar produções culturais brasileiras com influências africanas.
- Conhecer a cultura afro através da história Bruna e a galinha d’angola.
- Conhecer as características da galinha d’angola, seu habitat, reprodução
- Despertar o gosto pela leitura, artes e música;

 As atividades serão desenvolvidas através das seguintes ações:

1º MOMENTO: Atividades de rotina:

Receber os alunos, fazer a oração, cantar música de boa tarde.
Chamada:  Realizar a chamada
Quantos somos? Realizar a contagem dos alunos.
      Quantas meninas? Quantos meninos?
       Quantos ao todo?
       Tem mais meninas ou meninos? Quantos a mais?
Calendário: Marcar a data no calendário, explorando o dia/data atual, a anterior e posterior. Exemplo: (Hoje são 2 de setembro, ontem foi... amanhã será?)
Assim os alunos assimilam os números vizinhos.

2º MOMENTO: Hora do conto
                     Bruna e a Galinha D’Angola

Iniciar apresentando o livro “Bruna e a Galinha D’Angola”, demonstrando entusiasmo, e paixão pela leitura, apresentar o título/capa, falar sobre a autora, perguntar se já viram/conhecem a galinha de angola, como ela era, qual sua cor, de que se alimentava, qual a cor dos seus ovos. As crianças falaram tudo que sabiam sobre a galinha de Angola e também o que elas imaginavam sobre essa ave.

              Contar a história...

Após a história...
Mostrar aos alunos, com calma, as páginas do livro Bruna e a galinha d'angola, comentar sobre o assunto do livro. Falar sobre a avó da menina, personagem do livro, tinha vindo da África. 
Apresentar às crianças, o globo terrestre e mostrar onde fica a África.             



3º MOMENTO: 
  Assistir  ao "Filme do livro Bruna e a Galinha d'angola". Socializar a história por meio de perguntas e respostas explorando a oralidade dos alunos. 



Passar também imagens reais sobre a galinha da angola.


Apresentar a música infantil: O galinho de Angola , as crianças gostam muito dessa música. Cantar e se divertir!




4º MOMENTO: Contagem e seriação
Fazer seriação utilizando 9 figuras semi concretas da galinha da angola.
Verificar se o aluno conseguiu seriar as 9 figuras...se foi em ordem crescente ou decrescente.
Contar as figuras...pedir para que coloquem 8 figuras...5 figuras...

Fazer cálculos mentais:

Tem 5 galinhas no galinheiro. Vou colocar mais 2, quantas ficaram ao todo?
Colocar 4 figuras sobre a mesa e pedir para completar para que fique com 6 galinhas. Quantas galinhas foram acrescentadas?
Ir criando situações orais.

5º MOMENTO:  

 Em sala de aula, solicitei que as crianças pintassem com lápis de cor ou giz de cera, uma gravura com desenho da personagem da história brincando com sua galinha de Angola.  
Fizemos dobradura da galinha
Pintura da galinha carimbando com as mãos.
























6º MOMENTO:  
 Classificando animais 3 vaquinhas, 2 galinhas, 4 cavalinhos
       - Apresentar os brinquedos às crianças e deixa-las manusear livremente.
       - Fazer grupos com os animais que se parecem.
       - Conversar sobre a maneira de como procedeu.
     Questionar: há outra maneira de agrupá- los? tamanho...quantidade de patas...
Inclusão de classes: colocar os brinquedos e perguntar:
Quantas vaquinhas? Quantas galinhas? Quanto ao todo?
Tem mais animais ou cavalinhos?


7º MOMENTO: 

Reconto: Realizar o reconto utilizando o livro e uma galinha de tecido.

    Artes: Escultura da galinha feita com massinha de modelar. 



          
Culminância
Exposição dos trabalhos sobre a galinha , pinturas, dobraduras, desenhos, escultura com massinha de modelar caseira.

Avaliação

Será feita pela observação do desempenho dos alunos ao longo da realização das atividades, prestando atenção e realizando as tarefas propostas.